Velocidade/tempo = beleza materna

Nove meses se passam e aí nasce seu lindo bebê. Quanta felicidade! É tanta emoção que nós nos esquecemos de cuidarmos de nós mesmas. Passamos tanto tempo cuidado do recém chegado que mal paramos para comer, imagina para nos arrumar! Contudo, isso não pode se tornar uma constante. Precisamos cuidar do nosso corpo, da nossa alma e da nossa mente.

Ler, meditar, se maquiar e até mesmo tomar um banho de mais de 5 minutos podem ser missões impossíveis para uma nova mamãe. Apesar de o bebê nos requisitar muito, precisamos tirar um tempinho para não ficarmos cheirando a leite azedo o dia inteiro. Sério, isso pode, como tempo, fazer você pirar. Por isso, trago aqui uma listinha de produtos que podem ser uma mão na roda na hora de cuidar da nossa beleza e higiene sem nos custar muitos minutos preciosos.

  1. Aposte em shampoos 2 em 1, pois eles vão manter o seu cabelo limpo e cheiroso sem fazer você gastar tanto tempo no banho;
  2. BB cream ou CC cream podem ser seus melhores amigos na hora de se maquiar, pois um só produto promete fazer o papel da base, do corretivo e até do pó! Maquiagem completa em 2 minutinhos;
  3. Esmaltes de uma camada, pois você vai poder pintar suas unhas sem precisar ficar dando retoques;
  4. Lenços umedecidos são multifuncionais. Você pode tirar a maquiagem, limpar aquele resto de leite que caiu na sua roupa e higienizar o corpo de forma rápida;
  5. Óleo de amêndoas pode ser usado para hidratar tanto a pele quanto os cabelos, então é uma ótima saída para quando estamos no bad hair day e com muita pressa.

Queridas visitas

A gente descobre que está grávida, passa nove meses com a barriga crescendo, recebendo os parabéns, o bebê nasce e todo mundo quer visitar você (ou melhor, o seu filho). Aí é que o bicho pega, miga.

Você passou sua gestação toda ouvindo “conselhos” (que são quase uma ameça, uma imposição) dos outros, às vezes até de gente que nunca teve filho, e perguntas impertinentes (Já está tudo lavado e passado? Você vai aguentar a dor do parto normal? Você vai sofrer com o pós-parto da cesariana, viu?) e, por causa disso, você “enjoa” de algumas pessoas. Isso é bem comum. E fica pior. Muito pior.

Quando o bebê nasce, mil pessoas se convidam para ir na sua casa e conhecer o recém nascido. Se fosse só para olhar o bebê de longe, tava tudo ótimo. O problema é que querem pegar no novo membro da família, cheirar, beijar, saculejar… E, muitas vezes, as pessoas são sem noção. Elas vão fazer a visita quando estão doentes, sujas, com muita maquiagem ou perfumes fortes! Parece absurdo, né? Mas, é a realidade. E como você reage nessa situação? Como dizer àquelas pessoas inconvenientes que você não quer receber visita no dia seguinte ao parto ou que elas não peguem no seu bebê sem terem lavado as mãos? O melhor é ser sincera.

Se você não consegue dizer não para aqueles amigos sem noção ou para aquelas tias chatas, faça como eu. Mande uma mensagem para todos os seus contatos do WhatsApp, dizendo que você está muito feliz com a chegada do seu filho e com as felicitações dos conhecidos, mas que, naquele momento, está sendo difícil se adaptar ao bebê e sua nova rotina e que, em breve, marcará datas para receber visitas. É uma saída, né?

Outra opção, é colar na porta de casa ou do quarto do bebê um cartaz com algumas instruções. Alguns pontos importantes são:

  1. Tire os sapatos;
  2. Não fale alto;
  3. Se estiver doente, não chegue perto do bebê;
  4. Não use perfumes fortes;
  5. Lave as mãos antes de pegar no recém-nascido;
  6. Não beije as mãos ou o rosto da criança.

O aviso tá dado, quem não respeitar, não vai ser convidado para uma segunda visita.

Além de tudo isso, ainda tem mais um detalhe: quando o bebê nasce, tudo muda, inclusive a sua rotina. A casa está uma bagunça, tem panos e fraldas espalhados por todo canto, as roupas sujas e com cheiro de leite estão acumuladas no cesto, a pia está lotada de louça e o fogão cheio de restos de comida. O caos reina. É normal! Você não vai desperdiçar aquelas três horinhas de descanso enquanto o bebê está cochilando para cuidar dos serviços domésticos, né? Você mal consegue almoçar, imagina fazer bolo para suas visitas lancharem! Tenha consciência de que descansar é uma prioridade. Não ligue se seus parentes chegarem e a casa estiver bagunçada. Quem teve filho sabe pelo que você está passando durante essas primeiras semanas. Relaxe e curta as visitas da melhor maneira possível.

Agora, o recado é para os visitantes (o recado que eu gostaria de ter dado aos que vieram me ver e não dei).

Queridas visitas,

por favor, não sejam cruéis. Não falem que minha casa está uma zona se, com isso, vocês não estiverem se prontificando para arrumá-la. Não sejam sem noção de virem na mesma semana em que eu pari, pois estou dolorida e cansada. Não sejam machistas dizendo que devo me arrumar, senão meu marido vai procurar outra, pois ele é capaz de me amar além da minha beleza (e se não for, melhor ir embora mesmo). Não sejam mal educados e cheguem com roupas sujas da rua ou com cheiros fortes ou doentes ou com mãos sujas para pegar no meu bebê (ele ainda é frágil e indefeso). Não sejam inconvenientes e exijam visitar em horários em que meu filho ou eu estejamos dormindo, estou muito cansada e meu bebê ainda não sabe o que é dia ou noite. Não sejam impertinentes e deem conselhos que irão abalar a minha confiança materna, ainda estou aprendendo e também tenho direito de errar (alem disso, você teve sua chance de criar seus filhos e de fazer do seu jeito). Entendam que não há certo ou errado quando se trata de criação e que os tempos e as informações mudaram desde que você foi mãe/pai. E, por fim, lembrem que vocês já passaram ou podem passar pela mesma situação que eu, então sejam empáticos. Amo vocês.

Dia da gestante

No dia 15 de agosto, comemora-se o dia da gestante. Eu nem imaginava que tinha essa data comemorativa, mas que bom que ela existe! É importante existir um dia no ano em que possamos evidenciar um grupo de pessoas que acabam sendo esquecidas no cotidiano, como os idosos, os negros, os índios, os LGBTs, os deficientes (ou portadores de deficiência) e as gestantes, e conscientizar as outras pessoas sobre as dificuldades e os direitos desses grupos.

Todo mundo acha que estar grávida é fácil, que é só flores, uma mordomia só. Que nada! Estar grávida é muito mais difícil do que parece. Você enjoa, sente desejos malucos, está com as emoções e hormônios descontrolados, engorda, sente falta de ar, tontura, sono, indisposição, dor. Nossa, é tanta coisa junta que quase dá para endoidar. E, como se não bastasse tudo isso, as gestantes ainda têm que organizar as coisas para a chegada do bebê sem perder os deadlines do trabalho, a vida social e a amorosa, as consultas e exames do pré-natal e a hora do ônibus. Ufa! São nove meses bastante intensos. Passam rápido e devagar ao mesmo tempo.

Além de ter que lidar com tudo isso, a gestante ainda tem que lidar com a inacessibilidade urbana, com o desrespeito às filas e aos assentos prioritários, com a violência obstétrica e, muitas vezes, com o desrespeito a ela mesma, por meio de comentários e perguntas inconvenientes (como você está gorda! Você vai mesmo ter parto normal? Cadê o pai do bebê? Como assim você é “mãe solteira”?). Depois de tudo isso, você ainda acha moleza estar grávida?

Que nesse dia tomemos consciência dos direitos das gestantes e sejamos mais empáticos.

Parto normal X Parto cesáreo

Eis a grande questão: normal ou cesárea? Ixi… Escolha difícil para algumas mães, mas para mim foi bem simples. NORMAL! HUMANIZADO! Ah, mas e a dor? Você vai aguentar? Ouvi essas perguntas umas mil vezes. E, convicta, sempre respondia: Sim, vou.  E aguentei. E pari. E estamos vivas.

Antes da invenção da cesariana, as crianças só podiam nascer de um jeito: via canal vaginal, certo? Então, por que, depois do surgimento desse procedimento cirúrgico, os bebês não poderiam mais nascer de parto normal? Não há motivo, né? Pois bem, eu queria parir do jeito que a natureza manda. Acredito muito que as coisas naturais são melhores opções em 99% dos casos. Claro que existem exceções, como por exemplo quando há risco de vida para o bebê e para a mãe.

As pessoas têm muito medo do parto normal e, com minhas pesquisas, entendi o porquê. Bem, tem o clássico medo da dor. Acredite, dói, dói muito (eu pelo menos senti muita dor), mas você não vai morrer por causa disso. Aliás, você sabia que a pior dor – para mim, é claro. Dor é subjetivo, afinal de contas. – não é a passagem do bebê pela vagina e sim as benditas contrações? CHO-CA-DA! Verdade! Eu criei a teoria de que a gente sofre tanto com as contrações que a passagem do bebê é fichinha. Enfim, não se apegue a dor como um dos motivos para não escolher o parto normal – ou se apegue. Quem manda em você é você mesma -.

Sei bem que essa decisão é bem importante e, por isso, precisamos pesquisar, debater, pensar e conversar com o nosso obstetra/doula/obstetriz e outras mamães. É imprescindível que confiemos no profissional que acompanha o nosso pré-natal e que assistirá o parto, portanto não se acanhe em mudar de médico, caso não se sinta confortável com o seu. É, também, muito importante tirar dúvidas com mulheres que já passaram pela experiência de parir. O médico possui conhecimento acadêmico/científico, mas uma mãe possui conhecimento físico/emocional/empírico. Caso não conheça nenhuma mulher que passou por um parto normal, leia relatos de partos, como o meu.

Para facilitar, irei listar vantagens e desvantagens, mitos e verdades sobre o parto normal e o parto cesariano.

CESÁREA

VANTAGENS

  1. Você pode agendar o dia do nascimento (vantagem para você);
  2. É um procedimento rápido (1 ou 2 horas);
  3. Você não sente dor durante o parto, porque é anestesiada;
  4. Você pode aproveitar que a barriga está aberta e fazer a laqueadura (ligação das trompas).

DESVANTAGENS

  1. O pós-operatório, geralmente, é mais complicado, doloroso e incômodo;
  2. Você demora mais tempo para se recuperar fisicamente;
  3. É um procedimento invasivo;
  4. Você vai ficar com uma cicatriz, ainda que pequena.

MITOS

  1. É o procedimento mais indicado para qualquer situação (o mais indicado é o parto normal, caso não haja nenhuma complicação com o bebê ou a mãe);
  2. Não possui riscos para a mãe (como toda cirurgia, possui seus riscos);
  3. Você não pode entrar em trabalho de parto (claro que pode!);
  4. Vão fazer um corte gigante para tirar o bebê (atualmente, os cortes são pequenos);
  5. Tem que ser feito quando o bebê está laçado (não necessariamente).

VERDADES

  1. Você pode ter uma reação alérgica à anestesia;
  2. É recomendado em casos complicados, como o bebê estar em posição pélvica (ou seja, sentado);
  3. O útero demora mais tempo para voltar ao seu tamanho normal;
  4. O leite materno demora mais a descer, caso você não tenha entrado em trabalho de parto.

NORMAL

VANTAGENS

  1. É o método mais saudável de seu bebê nascer;
  2. A recuperação é rápida (no primeiro ou segundo dia após o parto, você tá novinha em folha);
  3. Seu corpo não sofre tantas intervenções;
  4. Quando seu bebê nasce, sua dor acaba!

DESVANTAGENS

  1. O trabalho de parto pode demorar (o primeiro parto pode demorar de 8 a 12 horas);
  2. As contrações doem muito (dor é subjetivo);
  3. Você pode sofrer lacerações no períneo.

MITOS

  1. O bebê laçado não pode nascer de parto normal (desde que o coração esteja batendo normal, pode sim!);
  2. A vagina vai ficar “alargada” (os músculos se esticam durante o parto e, depois, voltam ao normal);
  3. Você var ter que fazer episiotomia (esse procedimento só é necessário em casos que o bebê precisa de mais espaço do que a vagina tem para sair);
  4. Você nunca mais vai sentir prazer nas relações sexuais (no começo, a região fica muito sensível, mas, depois de umas semanas, volta tudo ao normal).

VERDADES

  1. Você pode precisar levar pontos (mas só se você sofrer lacerações);
  2. O leite desce mais rápido (por causa da oxitocina que é liberada durante o trabalho de parto);
  3. Seu útero volta mais rápido ao tamanho normal.

Enfim, essa pequena lista pode te ajudar a escolher a forma como seu bebê vai vir ao mundo, mas é importante pesquisar sempre mais, conversar, tirar dúvidas (como já disse). Também é imprescindível que você tenha em mente que, mesmo sabendo tudo sobre as formas de parto e tendo feito a sua escolha, na hora H tudo seja diferente do que você planejou e sonhou. Não se culpe ou fique com raiva se você precisar ter um parto normal, mesmo tendo escolhido uma cesariana, ou vice-versa. Tudo será como tiver que ser. Seu bebê nascerá da melhor maneira possível e seu amor por ele não pode ser medido por essa escolha. O mais importante é ter seu filhote nos braços com saúde, né?

Nesse momento tão especial, é muito bom ter o apoio da família, principalmente do seu parceiro(a). Por isso, converse com eles sobre sua decisão e, se eles estiverem tão perdidos quanto você, pesquisem juntos! Contudo, mesmo que discordem de você, o parto é seu momento com o bebê, então a palavra final será sempre sua.

Links pertinentes:

A cesárea da primeira gestação dificulta o parto normal do segundo filho?

15 mitos e verdades sobre o parto normal

https://brasil.babycenter.com/a1500800/os-estágios-do-parto-normal

https://brasil.babycenter.com/a1500700/cesariana

RELATO DE PARTO NORMAL

Tudo começou no dia 06/04/2017 (quinta-feira). Consulta de rotina com o obstetra. Dr. X (vamos chamá-lo assim) me perguntou como eu estava me sentindo, se havia tido algum vazamento de líquido ou sangue, se eu estava sentindo dor etc.. Nada, foi a minha resposta. Minha barriga se contraía, mas não havia dor e nem regularidade. Ele me examinou. Fez um toque, o segundo de muitos que ainda estariam por vir. 2cm de dilatação. Apenas. Colo do útero nada macio, segundo ele. Requisitou um ultrassom com Doppler, para saber mais precisamente como estava o volume do líquido amniótico e o desenvolvimento da bebê. Dr. X me passou o número do seu telefone (coisa que ele não tinha feito durante os quase 9 meses em que fui acompanhada por ele) e me pediu para que eu fizesse o exame com urgência e mandasse os resultados via WhatsApp o quanto antes. Ok, pensei eu.
Daí, Dr. X me fala a coisa que mais me abalaria durante os próximos dias: Se você não entrar em trabalho de parto até terça-feira (11/04), vamos ter que fazer a cesariana na quarta-feira (12/04). Meu mundo estava prestes a desmoronar ali mesmo, naquele consultório gelado, na frente de um médico mais frio ainda. Meu coração deu um baque. Como assim? Cesariana? NÃO! Não foi isso que você me disse na nossa primeira consulta! Só pensei. Não falei. Devia ter falado. Só consegui dizer: Mas, o senhor não pode fazer uma indução? Minha voz estava embargada. Eu ia chorar. Sabia disso. Engoli o choro. A resposta dele foi a gota d’água para mim: Não tenho 48 horas disponíveis para ficar te observando. Como assim você não tem TEMPO para me observar? Novamente, só pensei, não falei. Disse: Ok! Tá certo. E ele: Tá agendado já.
Saí daquela sala com vontade de morrer. Entrei no carro da minha mãe aos prantos. Meu marido não podia estar comigo na consulta, mas foi me encontrar logo em seguida. Chorei tanto. Foi terrível. Me senti violentada. Minha mãe e meu marido tentaram me consolar, disseram que íamos procurar outro hospital. Liguei para o meu primo que é obstetra e contei toda a situação. Ele me confortou dizendo que eu poderia ir para o hospital em que ele trabalhava e ele mesmo faria o meu parto. Ufa! Pelo menos, eu teria uma opção.
Fiz o ultrassom no outro dia de manhã e, depois, fomos visitar dois hospitais (Maternidade Santa Lúcia e o Hospital da Mulher do Recife). O primeiro não deixava o pai dormir na enfermaria comigo, apenas uma acompanhante do sexo feminino. Como assim o PAI não podia ficar comigo? Tá maluco! O segundo, no entanto, era um sonho transformado em realidade, como tinha dito a minha concunhada. Que lugar lindo, que lugar mágico. Todos eram simpáticos e prestativos lá. Foi amor à primeira vista. Os pacientes me diziam que ali era maravilhoso! Nossa! Que alívio. O hospital público estava sendo melhor do que os dois particulares em que tínhamos ido. Seria possível? Aqui no Brasil? Seria não, era possível. Foi possível. Ainda é. Marquei uma visita para segunda-feira.
Quando chegou o dia, visitei as instalações do hospital, recebi orientações. Foi ótimo. Me senti em casa. Era ali. Tinha que ser ali. E foi. Fui encaminhada para a triagem, para receber uma avaliação do médico de lá. As enfermeiras foram muito simpáticas e atenciosas. Me perguntaram o motivo de eu escolher aquele hospital e eu contei a minha história. Elas ficaram horrorizadas com o tratamento que eu tinha recebido e me garantiram que ali eu ia ser tratada como devia. Mal sabia eu que duas daquelas enfermeiras seriam minhas fadas madrinhas. Milca e Nayara. Nunca vou esquecer o nome delas. Aguardei na recepção com minha sogra e meu marido e logo fui chamada para ser avaliada. A médica conversou comigo e fez um toque. 3cm. Progresso! Isso era excelente! Eu ia conseguir! Voltei para casa com a instrução de voltar para lá caso: 1. Minha bolsa rompesse. 2. As contrações ficassem de 5 em 5 minutos. 3. Se eu estivesse com 6cm de dilatação. 4. Se eu completasse 41 semanas e 5 dias. Eu já estava com 41 semanas e 2 dias! Estava mais perto do que longe. Minha mãe montou acampamento na minha casa no dia seguinte e ficamos observando.
Na quarta-feira (12/04), não voltei para Dr. X me abrir e puxar minha filha para fora de mim. Fui dormir com doces contrações se regularizando.
Quinta-feira (13/04): Às 10 horas da manhã, estávamos nos arrumando para ir para o hospital. Malas e documentos na mão, ansiedade no coração. Contrações regulares, sem dor, mas regulares. Chegamos lá e fui para a triagem novamente. E adivinha quem me atendeu? Minhas fadas madrinhas. Estavam felizes em me ver de novo. Eu também. A médica fez um toque. Meu colo do útero ainda estava colado. Ela me disse que teria que descolar um pouco para o trabalho de parto começar de fato e para desencadear as dores das contrações. Foi o pior toque da minha vida. A médica me escavou e eu gritei e eu chorei e eu pedi para parar. Ela não podia parar. Ela não fez por mal. Quando terminou, comecei a sentir, quase que instantaneamente, um leve cólica. Fui para a ala de observação e fiquei esperando para, dali a algumas horas, a médica ver de novo como estava o andamento da dilatação.
Fiquei fazendo agachamentos e caminhadas pela sala. Queria muito que desse certo. Quando a hora ia chegando, me amedrontei. Não queria um outro toque daqueles. Foi aí que surgiram Milca e Nayara para auscultar o coração da minha pequena. Eu confidenciei que não tinha gostado do último toque da médica e Milca, delicadamente, fez um novo. 4cm! Isso! Elas saíram e me deixaram lá, esperando para ver a médica dali a algum tempo. Continuei com os exercícios, comi, conversei com minha mãe, meu marido e minha sogra. Tranquilizei algumas mamães que estavam com dores. Vi mulheres entrarem naquela sala e saírem dela. Foram encaminhadas lá para cima, o lugar onde as coisas aconteciam de fato. Nesse entra e sai, minha ansiedade ia crescendo porque EU não saía de lá.
No final da tarde, minhas fadas madrinhas vieram e me pouparam de voltar para a médica. Como eu agradeci! Eu estava calma. Estava tentando. Mediram minhas contrações e saíram. E daqui a pouco, de noite, me trouxeram uma bata e me mandaram lá para cima. A terra onde as coisas aconteciam. Finalmente. Eu, antes de subir, pedi para Milca e Nayara ficarem para o meu parto, se possível. Eu confiava nelas. Subi e me instalei num quarto de observação, junto com outra mulher. A enfermeira me informou que só me dariam a oxitocina no outro dia de manhã, que eu precisava descansar. Minha mãe foi para casa dormir e meu marido ficou ali comigo. Ansiedade nos definia. Passamos a madrugada ouvindo gritos de desespero e dor. Eu mandava boas energias para aquelas mulheres, desejava sorte e sorria quando ouvia o tão esperado chorinho. Mais um. Mais outro. Mais um monte.
Sexta-feira (14/04), 9 horas da manhã. Oxitocina. Agora vai! E foi. Lento. Demorado. Horas e mais horas. A dor ia aumentando ao longo do dia. Até que eu não queria mais comer, não queria mais conversar (não conseguia ser simpática nem com quem mais me amava), não queria mais nada. Só queria que a dor passasse. Ninguém tinha me dito que o trabalho de parto dava tanto calor. Eu derreti durante o dia todo.
Durante um tempo, tentei resistir ao desejo de pedir uma cesariana. Até que não dava mais. Pedi uma cesariana. Pedi anestesia. Já estávamos fora da possibilidade de ter isso. Perguntava quando ela ia nascer, quanto tempo faltava para aquilo terminar. Eu queria uma previsão, uma esperança na qual pudesse me agarrar. E não tinha previsão. Tempo, tempo, tempo. Eu não andava mais. Não fazia mais exercícios. Estava cansada. Queria morrer. Preferia ser um mendigo, toda vez que a dor vinha. Minha família estava apreensiva em casa (não quis festa no hospital). Por que essa menina escolheu parir assim? Era a pergunta de um milhão de reais.
Nesse momento, eu me perguntava a mesma coisa. Não me deixaram desistir. Me encorajaram. Meu marido, minha mãe e as enfermeiras. Até o momento em que eu fiz xixi na cama. Não. A bolsa não tinha rompido. Foi xixi mesmo. De propósito, fiz xixi na cama. Minha dignidade tinha acabado há tempos. O que era aquele xixi na cama comparado ao cocô que eu fiz na frente da enfermeira pela manhã? NADA! E foi esse simples xixi que mudou tudo.
Minha mãe e meu marido me levaram para tomar banho. Eu estava um caco. Tomei banho sentada em uma bola de pilates, abraçada ao meu marido, sendo lavada pela minha mãe. Voltei para o quarto enrolada em uma bata molhada. A enfermeira me perguntou se aquilo tinha sido a minha bolsa e eu tinha dito que não. Então, ela rompeu. Daí para a frente, o negócio descarrilhou. A enfermeira me pediu para eu me agachar. Minhas pernas tremiam de dor. Só consegui fazer o que ela me pediu quando meu marido fez comigo. E fiz força e o sangue desceu. Uma bela poça de sangue. Fui instruída a ficar de quatro apoios (joelhos no colchão e abraçada à cabeceira reclinável da cama) e fazer força para baixo quando a dor viesse. Obedeci. Repeti o processo algumas vezes, até que Milca, uma das minhas fadas madrinhas, chegou do meu lado e me acalmou. Aquela voz suave me dizia que estava dando tudo certo, que minha bebê estava quase nascendo.
Meu marido e minha mãe estavam ao meu lado e me davam forças a cada contração. Eu estava exausta. Disse que ia parar um pouco e o coro de vozes atrás de mim me disse que não, que eu tinha que continuar, que Valentina estava saindo. Eu não tinha me dado conta da chegada da equipe de enfermeiras e técnicas. Elas tinham apagado as luzes do quarto e tinham deixado apenas um foco de luz voltado para o meu bumbum, tinham colocado uma música suave e me vestido com um top. Quando eu senti a cabeça no meu canal vaginal, pedi para colocarem a música que ouvíamos quando eu estava grávida, Stairway to Heaven, de Led Zeppelin. Era a música de Valentina. Era a música que fazia ela mexer na barriga. E nesse momento, a enfermeira chefe perguntou se meu marido gostaria de pegar a bebê quando saísse. Ele, nervoso, quis e se posicionou atrás de mim, com os braços estendidos, prontos para aparar nossa pequena. Até então, eu não tinha gritado, mas quando senti que ela estava nascendo, gritei o nome dela, pedi para ela vir. E, às 21h12m, em meio a sangue, cocô, suor e cheiro de óleo essencial de lavanda (que minha mãe/doula usou para me fazer uma massagem relaxante), Valentina veio. Veio berrando, veio para a gente. 3,700kg e 50cm de muito amor.
Quando ela saiu, não existia mais dor, só o maior amor do mundo. Quando colocaram aquele pacotinho sujo de sangue, ainda ligado a mim pelo cordão umbilical, nos meus braços, meu mundo parecia completo. Um vazio que eu não sabia que existia foi preenchido. Aliás, eu me transbordei através dela. Seguindo um ritual do HMR, meu marido fez um juramento sobre cuidar de nós e cortou, nervosamente, o elo físico que me unia a Valentina. Uma das melhores sensações do mundo foi sentir aquela boquinha banguela sugando o meu peito ainda na sala de parto. Naquele momento, nada mais existia. Apenas nós três.
Depois, foram medir, pesar e examinar Valentina. E eu, que pensei que nunca mais ia sentir dor na vida, ainda esperei a placenta sair, me limparem e me costurarem. Não fizeram episiotomia (corte do períneo) em mim, mas fiquei um pouco lacerada. A fome que eu não tinha sentido durante o dia todo atacou com tudo. Fome, frio e exaustão. Mas, mais do que isso, a expectativa de uma vida toda pela frente com a minha nova família.

Pra começar

Vamos começar pelo começo, né? Ana Maria. 20 anos. Mãe há 2 meses, quase 3, de Valentina. Ex estudante de Letras/Inglês pela UFPE. Casada com Jeff Clause. Taurina. Aspirante à atriz. Apaixonada por musicais, comida e coisas esotéricas.
Pronto! Agora, você sabe, mais ou menos, quem eu sou. Eu, no entanto, não te conheço, mas se você estiver grávida ou já for mãe, eu sei exatamente pelo que você está passando. Calma! É a primeira coisa que tenho para te dizer. Calma que seu bebê vai nascer em algum momento. Calma que você vai sobreviver às noites mal dormidas e às regurgitadas. Não se preocupe. Minha missão é te ajudar com tudo isso e muito mais. Vou compartilhar minhas experiências e fornecer informações para acabar com as dúvidas das mamães que me leem. Sem romantizações e sem dramas. Só a verdade. Nua e crua. Prometo. Minha única pretensão é colaborar para que o mundo tenha uma legião de mulheres fortes, empoderadas e seguras de si e de suas escolhas enquanto mães. Aliás, não só mamães, mas também papais. Aqui é um espaço democrático. Os papais também têm vez aqui. Eles também fazem parte da vida dos seus bebês e, com certeza, estão cheios de dúvidas, medos e afins. Vamos trabalhar em cima disso, ok?
Minha ideologia é: pais felizes = bebês felizes.